Criminalização, MPL Floripa, reflexões

Nota de solidariedade aos trabalhadores sem terra

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Na tarde de ontem (07/04), dois trabalhadores sem terra foram assassinados em Quedas do Iguaçú, município do oeste paranaense. Os óbitos foram resultado de um ataque realizado pela Polícia Militar e por jagunços da empresa Araupel. Outros sete trabalhadores do acampamento Dom Tomas Balduíno ficaram feridos. A polícia negou acesso ao local da matança e dificultou o contato com os feridos, dificultando a assistência médica e abrindo a possibilidade de alterar evidências no local do crime.

Frente a essa notícia horrorosa, nós, militantes do Movimento Passe Livre de Florianópolis, sentimos uma grande tristeza no coração. Justo nesse mês, quando o massacre de Eldorado do Carajás completa 20 anos de impunidade, perdemos mais dois lutadores. O latifúndio da Araupel foi adquirido por grilagem e a Justiça Federal já havia declarado como pública e destinada para a reforma agrária as terras onde se encontram as 1.500 famílias do acampamento Dom Tomas. Não tendo como, racionalmente, defender sua grilagem, a Araupel, apoiada pelo Estado, matou e feriu as famílias sem terra, que não fazem mais do que labutar pela sua própria sobrevivência.

Nos angustia muito ver uma parte da população apoiar essas ações, dando créditos ao discurso ilógico e mentiroso que afirma que os policiais e jagunços foram vítimas de uma “emboscada”. Com que motivo os acampados fariam isso? Nesses tempos em que discursos irracionais e raivosos ganham força no Brasil, é preciso lembrar que o próximo pode ser eu ou você. O próximo a morrer pode ser qualquer um que ousar lutar pela garantia de direitos mínimos, como o é o direito à terra. Só no ano passado foram registradas 49 mortes resultantes de conflitos agrários no país. A total impunidade e indiferença frente aos casos como o de Eldorado dos Carajás, que matou 21 sem terras, deixa espaço para que essas histórias de brutalidade e injustiça se repitam. Nossas terras estão cheias de sangue.

Os latifúndios são, na história do Brasil, as gigantescas catracas que impedem qualquer esperança de democracia. Diante desse episódio amargo, politizamos nossas tristezas e as transformamos em coragem. O nosso luto se converte em luta. Na cidade ou no campo, a democracia há de avançar, o poder do capital há de recuar, as vidas hão de ser mais importantes do que o dinheiro. Nos solidarizamos profundamente com o Movimento dos Trabalhadores sem Terra e exigimos a imediata investigação do crime, o afastamento dos agentes responsáveis, a garantia de segurança das família acampadas na região e o seu assentamento nessas terras já destinadas a reforma agrária. Nenhum dia de silêncio virá.

Por uma vida sem catracas e sem latifúndios,
Movimento Passe Livre

OBS: comentários com conteúdos de ódio e desrespeito não serão aceitos nessa página.

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#pracegover Na imagem vê-se uma pista ocupada por pessoas que estendem uma grande faixa preta escrita “pelos nossos mortos nenhum minuto de silêncio, mas uma vida de luta”. Essas pessoas estão segurando bandeiras do MST e uma cruz de madeira. No fundo da imagem há um ponto de fumaça.

MPL Floripa

8 de março  –  Dia da mulher de luta, dia da catraqueira!

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Nós – que sofremos assédio sexual nos ônibus, metrôs e trens – não queremos um buquê de rosas. Queremos programas que instruam as/os motoristas, cobradores/as e demais trabalhadores/as do transporte a reagirem em casos de violência e assédio, protegendo a vítima e denunciando o agressor.
Nós – mães solteiras que andamos por aí carregando nossas/os filhas/os de um canto ao outro da cidade, tendo que dar conta de se mover entre a creche, o trabalho e a casa – não queremos suas flores. Precisamos da tarifa zero para podermos fazer vários trajetos no mesmo dia sem nos preocuparmos com o peso da conta no fim do mês.
Nós – grávidas de uma nova geração – não queremos ganhar um parabéns pelo dia da mulher. Queremos um ônibus sem catraca, um ônibus confortável e não uma carcaça velha que torna nosso ir e vir em uma viagem pelo incômodo.
Nós – mulheres trans que deixamos de sair por aí por medo de sermos perseguidas, agredidas e mortas – não queremos suas saudações.  Lutamos por ruas mais seguras em que não estaremos expostas a situações arriscadas a todo o tempo. Contar com um transporte público de qualidade poderia nos ajudar a evitar circunstâncias de vulnerabilidade no espaço urbano
Nós – que deixamos de sair de noite por medo de nos expormos à violência sexual – não queremos ganhar uma mensagem festiva pelo celular. Exigimos transporte noturno amplo e de qualidade, que nos encoraje a sair às ruas e amplifique nossa liberdade de andar por aí sem nos expor a situações arriscadas em ruas desertas, caronas incertas e não confiáveis.
Nós – moradoras da periferia que cumprimos jornadas duplas ou triplas todos os dias – não queremos ganhar lembrancinhas do patrão. Demandamos urgentemente a transformação na forma de pensar e conceber as cidades, que privilegie o uso do transporte coletivo e não aceite a ideia de que alguém pode perder horas da sua vida diária entre a casa e o trabalho.
Nós – que somos a maioria entre a população pobre e as mais afetadas pelos momentos de crise econômica – não ligamos para suas rosas. Queremos a tarifa zero e um transporte verdadeiramente público como forma de ampliação da democracia, como distribuição da riqueza e verdadeira democratização dos espaços urbanos.
Nós  – mulheres do MPL  –  estamos juntas na luta por uma vida sem as catracas do machismo e do capital e vamos brigar por uma cidade que seja também uma cidade das mulheres!
MPL Floripa

Apresentações do I Ciclo de formação


No último sábado houve o primeiro ciclo de formação do MPL Floripa. Usando dois textos  base debatemos sobre as lutas sociais pelo transporte e mobilidade e direito a cidade. Para quem não pode participar e para quem estava presente, mas gostaria de rever as apresentações seguem em pdf:

Apresentacao – Lutas Sociais pelo Transporte

Apresentacao – Mobilidade e Direito a Cidade

 

 

MPL Floripa

I Ciclo de Formação do MPL Floripa: Mobilidade e Direito à Cidade

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O MPL Floripa convida a todas e todos para uma tarde de formação, debate e discussão sobre Mobilidade e Direito à Cidade.

Ao longo dos 11 anos de história do movimento temos acumulado e aprofundado discussões a respeito desse tema. Gostaríamos de partilhar, aprofundar mais e enriquecer essas discussões, dessa necessidade surge os ciclos de formação. Essa atividade será a primeira, todas serão abertas e cada edição terá temas específicos. Esse também é um espaço para novas pessoas se aproximarem do movimento.

Quer saber mais sobre o que o MPL Floripa tem a dizer sobre mobilidade urbana, transporte coletivo, tarifa zero e direito à cidade? Tem dúvidas sobre algum desses temas, sobre a viabilidade da tarifa zero, ou quer trazer suas contribuições ao movimento? Esse é o espaço perfeito para isso! =)

Para ajudar na discussão, selecionamos dois textos para serem lidos antes da atividade:

TEXTO1- “Lutas sociais pelo transporte – uma breve introdução” Leia aqui.

TEXTO2- ” Mobilidade urbana na grande Florianópolis: A tarifa zero e a integração metropolitana como meios de democratização do direito a cidade.” Leia aqui.

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Sábado, 05.03, 13h
SINDSAÚDE – R. Frei Evaristo, 77 – Centro
Evento do facebook aqui.

Ajude a divulgar e compareça!!!

MPL Floripa

Plano Municipal de Mobilidade Urbana de Florianópolis?

Você sabia que Florianópolis está elaborando seu Plano Municipal de Mobilidade Urbana (PMU)?

Mas, isso não é por se preocupar com a questão, não. Trata-se de uma obrigação aos municípios com mais de 20 mil habitantes e o prazo se encerra logo mais.

Nesse processo, a prefeitura de Florianópolis está realizando um questionário para a população “participar” dessa construção.

Você pode acessá-lo aqui (https://goo.gl/y0tJdk) e manifestar sua insatisfação com a (i)mobilidade urbana da cidade.

Se você não estava sabendo, não se preocupe. Eles não estão se importando muito com a opinião da população. Pelo contrário: o único meio de divulgação desse questionário é através da página do Facebook da prefeitura. Parece piada, não é mesmo? E os usuários do transporte coletivo da cidade que não têm acesso à rede? A prefeitura quer ouvir a opinião de quem?

Acreditamos que nos fazemos ouvir e conseguimos denunciar a falta de políticas de mobilidade urbana nas ruas e na nossa organização. Quer fazer parte? Fique de olho na nossa página, entre em contato conosco e vem pra luta com a gente!

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MPL Floripa

Por uma cidade para as pessoas e não para os carros!!!

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Os acidentes envolvendo ciclistas estão longe de serem apenas um “acaso infeliz”. São fruto de uma cidade que cresce desordenadamente e sem projeto de mobilidade urbana. São fruto de políticas que priorizam os carros, deixando de lado toda a parcela da população, de trabalhadores, que se locomovem de ônibus, bike, ou a pé.

Quase que diariamente lemos ou ouvimos alguma notícia que denuncia mortes em decorrência de atropelamentos. Se repetimos uma coisa várias vezes, ela se torna normal. Se vemos uma coisa com frequência, ela se naturaliza. Por esse motivo, estamos, infelizmente, nos acostumando a passar pela SC-401 e ver ciclistas e pedestres correndo riscos, obrigados a dividir o pouco espaço existente com carros e ônibus e, cada vez com mais frequência, vemos acidentes trágicos que acabam em morte. Tudo isso porque há uma total falta de investimento em segurança para os ciclistas e pedestres, assim como não há política e investimento em melhorias e na priorização do transporte coletivo.

Chegou a hora de pararmos e discutirmos o problema da mobilidade em Florianópolis. A situação de negligência com os meios de transporte alternativos ao carro é evidente e se agrava na temporada, quando a cidade – que vive parada – mais do que dobra sua população, sem nem ao menos ampliarem-se os horários dos ônibus.

A mesma política que prioriza o uso do automóvel nas cidades, é a que precariza o transporte coletivo, gerando mais congestionamentos, mais poluição e mais acidentes e mortes no trânsito. A fórmula é simples: (+) tarifa = (+) carros (-) mobilidade. Esse modelo está levando nossa cidade ao caos, demonstrando-se absolutamente insustentável!

Por uma cidade para as pessoas e não para os carros!!!

Movimento Passe Livre Florianópolis


Na próxima sexta feira haverá um protesto, auto organizado por diversos ciclistas, na SC401 sobre a questão das mortes.
Participe!
Para saber mais: https://www.facebook.com/events/687262338082178/

MPL Floripa

Tarifa Safadona: 99% lucro das empresas mas aquele 1% paga o custo do busão

tarifa safadona

Você sabia que, se a tarifa fosse atualizada de acordo com a inflação, hoje pagaríamos R$ 1,78 pela passagem em Floripa? Pois é! A inflação acumulada desde a implantação do real, foi de 424,12%, enquanto a tarifa aumentou 929,41%, saltando de R$ 0,34 (tarifa média) para os atuais R$ 3,50!

Isso é inaceitável! Como é que se explica que a tarifa tenha aumentado quase o DOBRO da inflação? É muita falcatrua dos empresários safadões! Um verdadeiro assalto aos nossos bolsos, patrocinado pela Prefeitura, que só sabe aumentar tarifa e dar aquela ajudinha pros ladrões!

Sai, Safadão! O prefeito César Safadão pode até dizer que não é culpa dele, mas de junho/2014 para cá, período de vigência do novo contrato assinado depois da licitação, o aumento foi de 27,27% (de R$ 2,75 para os atuais R$ 3,50) enquanto a inflação acumulada foi de 13,96%.

Quer mais? Não é só com a tarifa que esses safados lucram não! A cara de pau deles é tanta que os “coitadinhos” dos empresários alegam trabalhar no vermelho! Dizem que o negócio deles dá prejuízo e ainda abocanham um montão de dinheiro todo mês pelo repasse de subsídios da Prefeitura às empresas, que já chegou a R$ 0,42 por passageiro (somando R$ 1.886.810,52 por mês!!!). Mesmo assim, esses pilantras ainda dizem que tão perdendo dinheiro e alegam que a dívida da Prefeitura com as empresas está em torno de R$ 12 milhões (http://bit.ly/22VTlYa).

Calma que ainda não acabou! As mesmas cinco empresas de sempre – Canasvieiras, Emflotur, Estrela, Insular e Transol – e mais a Sulcatarinense, são donas da COTISA, o consórcio que administra os terminais de ônibus da cidade. Para usar os terminais, as empresas pagam para a COTISA (ou seja, elas pagam para elas mesmas) um montão de dinheiro, e isso faz a tarifa ser ainda mais cara! A coisa é tão descarada que uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado mostrou que a taxa de lucro da COTISA foi fixada em 32%, enquanto os índices nesse mercado giram em torno de 8% (http://bit.ly/1nZ8hAB). CÉLOKO!!!

É tanta ladroagem e cara de pau que não dá pra aguentar! E por falar em cara de pau, por que será que a Prefeitura, na surdina, tirou do ar todas as planilhas de custo e cálculo da tarifa? Cadê a transparência, Safadão?

Motivo não falta pra se revoltar, né não? Passou da hora de dar um basta nessa palhaçada que tão fazendo com a gente, que depende desse transporte caro e de péssima qualidade! Todo mundo sabe que isso só vai ter um fim quando o povo se indignar e tomar as ruas da cidade. O MPL está se organizando junto com a Frente de Luta pelo Transporte, que está aberta a participação de todos e todas! Só juntos é que vamos colocar esse bando de safados na linha.

PARTIU RUA! QUINTA-FEIRA, 14/03, às 17h30 no TICEN

Evento: https://www.facebook.com/events/161584654206682/