MPL Floripa, Sintraturb

NOTA MPL – GREVE DE ONIBUS

A semana começou e a greve dxs trabalhadorxs do transporte coletivo da grande Florianópolis também! Mas o que está em disputa não são somente os direitos de uma única categoria e sim os direitos de todos os trabalhadores.
Mais uma vez presenciamos a pressão feita pelos patrões que, como sempre, querem manter seus lucros intactos mas, dessa vez, ela vem trajada de crise econômica, crise essa que sempre beneficiou quem tem dinheiro, podendo usá-la como desculpa para explorar ainda mais os trabalhadores temerosos por seus empregos.
A crise política e todo o esplendor do seu show de horrores coloca na boca de muitos os argumentos mais absurdos, deixando todos enfadados dessa discussão infindável. Ninguém mais quer ouvir falar de política. Só que quem não quer que se discuta na sua presença, na verdade, só está cansado de ser feito de trouxa e acha que se afastar dessa situação é a melhor solução para não ser mais enganado. Deveria, no entanto, fazer era o oposto: tentar entender como funciona o jogo político para daí sim poder manipular as cartas a seu favor e de seus companheirxs trabalhadorxs!
Na política, ou seja, na luta pelos direitos, a discussão é uma arma forte contra a ignorância de não reconhecer seu poder: como indivíduo, atuante na tal democracia, e como categoria, que reivindica e não aceita perda de direitos e retrocessos.
Toda força aos companheiros do transporte coletivo da grande Florianópolis, que assim como nós, tem amigos, vizinhos e família que também dependem do serviço de transporte, já tão precário, mas que, mesmo assim, paralisarão seus trabalhos para poder lutar por uma vida melhor para eles, e por nós, que ganharemos com a qualidade do serviço de pessoas conscientes de seus direitos.
Força!
Trabalhadorxs do mundo, uni-vos! 
Agora mais do que nunca!
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Florianópolis, 31 de maio de 2016
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atividades, panfleto, Sintraturb, transporte

Inauguração do SIM, só que não.

Ontem, às 17h, em frente ao TICEN, o Movimento Passe Livre e o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Urbano fizeram a inauguração simbólica do “novo” sistema de transporte coletivo da capital. Teve prefeito e tudo. Juninho foi apresentar as “mudanças” que ele está implementando, ou seja, vender o mesmo sistema mas com uma pintura bonita por fora.

Veja as fotos na nossa galeria abaixo e entenda melhor as mudanças aqui.

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*Fotos: Bruno Henrique

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Leia o panfleto distribuído na inauguração.
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#canseidesersardinha – Agora no TICEN!!!

O Movimento Passe Livre e o Sintraturb estão agora na frente do TICEN distribuindo latas de sardinha em protesto à ameaça de botar na rua 700 trabalhadores!

Demitir esses trabalhadores  só vai servir para piorar a vida dos usuários e usuárias do transporte coletivo. As demissões fazem parte da nova licitação aprovada esse ano e que tem por objetivo garantir os lucros das mesmas empresas de sempre por mais 40 anos! Faça parte da campanha #canseidesersardinha e poste sua foto aqui! Não deixe de ler abaixo a nota sobre a demissão dos cobradores.

Tá com preguiça de ler? Veja o vídeo da nota.

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Material que está sendo distribuído agora no centro!

Cansei de ser refém dessa lata de sardinha!

Existem muitos momentos na vida em que tentam enganar a gente apresentando como causa aquilo que é somente o efeito de uma situação. No estudo da lógica essa operação é conhecida como falácia. É como falar que um time vai mal porque ele joga na série B, sendo que, na verdade, o tal time está na série B porque está jogando mal. Pelo caminho da falácia a solução apresentada nunca seria mexer no time ou trabalhar para melhorar seu desempenho. Falácia é exatamente a estratégia que a prefeitura e os meios de comunicação têm adotado para falar sobre a greve dos trabalhadores do transporte coletivo, colocando a população contra as suas paralisações.

O mau funcionamento do transporte na cidade não é culpa da greve dos trabalhadores. A greve é só consequência desse sistema falido defendido pela prefeitura e que tem como prioridade absoluta gerar lucro para meia dúzia de empresas que controlam o transporte coletivo da cidade desde de 1926 (sim, faz quase 100 anos que elas estão aí!). A imprensa insiste em dizer que a população vira refém do sindicato nos dias de greve, mas a verdade é que nós somos reféns desse sistema ultrapassado 365 dias por ano. O objetivo dessa falácia é evitar que a gente exija uma mudança radical na lógica de funcionamento do transporte. A nova licitação, apresentada pelo Prefeito Jr. como solução, só serve para manter as coisas como estão, garantindo o lucro da máfia do transporte.

Meses atrás nós denunciamos a fórmula mágica da licitação:

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“menos trabalhadores, menos linhas de ônibus, mais gente em um ônibus só e tarifas cada vez mais caras = mais lucro para os empresários do transporte”

A primeira medida da licitação já confirma a fórmula: 700 cobradores serão demitidos para aumentar o lucro da máfia. Outra ação que já está sendo executada é o corte de linhas em alguns bairros. É verdade que a prefeitura anunciou que a tarifa deve diminuir em 15 centavos. Só que para a prefeitura, felicidade de pobre tem que durar pouco. No contrato da licitação está escrito que as empresas têm o direito de aumentar as passagens todos os anos. Por conta da pressão das manifestações em todo o país, no ano passado o governo federal reduziu um imposto nacional que fez com que o preço das tarifas caísse em dezenas de cidades. Naquele momento o Prefeito Jr. foi cobrado, mas se negou a solicitar que as empresas da Grande Florianópolis cumprissem a determinação de baixar a tarifa porque não teve coragem de enfrentar os empresários. Um ano depois o cagão se apresenta como bem feitor, sendo que não faz mais do que a sua obrigação. Essa diminuição já está atrasada.

Todas essas mudanças da nova licitação têm sido apresentadas para a população como se fossem parte do “progresso” do sistema de transporte que irá beneficiar todo mundo. Mas a verdade é que os únicos que vão continuar ganhando com isso são os empresários. A aniquilação dos cobradores terá graves consequências para os usuários: fará com que o transporte fique mais lento e que o tempo de espera aumente, já que o motorista vai ter que administrar os pagamentos, dar o troco e dirigir. Além disso, essa dupla função precariza o trabalho do motorista e faz com que o deslocamento fique mais inseguro para o passageiro. Nós acreditamos que, mesmo com Tarifa Zero, deve haver sempre mais de um trabalhador no ônibus para auxiliar pessoas com dificuldade de locomoção e orientar os passageiros, evitando também brigas e conflitos no interior do ônibus.

A prefeitura diz que as demissões tem por objetivo baratear as passagens, mas em vários lugares onde não existe cobrador a passagem acabou aumentando muito ao longo dos anos. Uma mudança verdadeira só vai acontecer quando o transporte coletivo deixar de ser tratado como mercadoria, quando o seu objetivo principal não for o de gerar lucro para as empresas. Até lá, tudo será feito em nome dos empresários e não da população. Um exemplo disso é a questão da integração com a região metropolitana. A nova licitação do Prefeito Jr. não apresentou nenhuma proposta de integração nas passagens e terminais, mas na hora de demitir os cobradores o sistema operou de forma surpreendentemente integrada: serão 350 demissões nas empresas que operam em Florianópolis e 350 na região metropolitana. Ou seja: na hora de demitir temos uma política de plena integração, mas o usuário do transporte que se desloca pelos trajetos intermunicipais não tem direito a integração alguma.

Isso mostra que o sistema de transporte da Grande Florianópolis está todo pensado de forma a beneficiar os empresários e, se depender desse prefeito covarde, nada será mudado se não for para aumentar o lucro desses patrões. Até lá, continuaremos andando cada vez mais esmagados feito sardinhas, esperando mais tempo nos pontos de ônibus e pagando tarifas cada vez mais caras. A licitação que fará com que as mesmas empresas de sempre completem mais de 100 anos explorando nosso direito de ir e vir é a mesma que irá botar na rua 700 trabalhadores. Enquanto isso, a mídia insiste em colocar a população contra motoristas e cobradores. Parece exagero? No Jornal do Almoço, a RBS colocou uma organização chamada Floripa Amanhã para falar em nome dos usuários do transporte em um debate que pretendia ser independente dos interesses dos trabalhadores e empresários. Acontece que a tal organização tem como membro fundador o próprio SETUF, entidade que representa oficialmente os donos das empresas de ônibus. Tem como ser mais cara de pau do que isso?

Nós estamos do lado dos trabalhadores e da população, em prol de uma mudança radical na lógica do sistema de transporte coletivo. A prefeitura e a grande mídia estão claramente ao lado da máfia do transporte. E você? De que lado vai ficar?



*Confira aqui todo o material produzido pelo MPL sobre a questão da licitação, incluindo os relatos de processos legais e tentativas de participação nas audiências públicas.  


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A audiência pública que não acontecerá e o Jornal do Ônibus

Na luta para que o transporte seja discutido com quem todos os dias vive os problemas de mobilidade da cidade, o povo.

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Na última semana, estivemos por duas vezes presentes na Câmara de Vereadores de Florianópolis, onde seria votada, em sessão ordinária, a possibilidade da realização de uma Audiência “verdadeiramente” Pública, no Largo da Alfândega, que ocorreria em um final de tarde, horário que a população tenha condições de participar, debater e sugerir um novo modelo de transporte público.

Na primeira sessão, realizada na segunda-feira, os vereadores mostraram desrespeito pela população em geral, militantes de esquerda, representantes do SINTRATURB e demais sindicatos, e Movimento Passe Livre, presentes na sessão. Eles “bancaram peixe escorregadio” e saíram sem votar uma ação positiva e transparente. Durante a sessão foi nítido o “tabu” que veste a temática entre os vereadores de nossa cidade. Após um telefonema do secretário pedindo a não realização da audiência pública, surgiram desculpas como: custos de uma audiência (foi lembrado durante a sessão que a ação “Prefeito no Bairro” custa R$34.000,00 para os cofres da cidade em cada edição), medo de tumultos e desculpas de que a população não entendesse os termos técnicos do edital foram usados em defesa da não realização da audiência.  Saímos de lá com a votação adiada para terça-feira, 17 de setembro.

Na terça-feira, o desrespeito virou uma cena burlesca. Assistimos 4 dos vereadores que solicitaram o requerimento se arrependerem de seu ato favorável à audiência pública  e se absterem ao voto. 14 vereadores disseram não e apenas 4 foram favoráveis à transparência na licitação. Chega a ser incompreensível porque tanto receio em discutir com a população um edital.  Qual o problema de disponibilizar para os verdadeiros usuários do transporte público como a licitação será realizada? Afinal, serão estes os diretamente afetados com as decisões tomadas. Mais uma vez, o Prefeito César Souza e a grande maioria dos vereadores na Câmara deixaram claro que entendem mesmo é de ignorar a voz e os desejos  das ruas.

“Não queremos concessão! Nós queremos a TARIFA ZERO! Queremos um transporte verdadeiramente público e fora da iniciativa privada. Exigimos que nosso direito de circular pela cidade deixe de ser controlado por meia dúzia de empresários.”

Assim, na quinta-feira à noite nos juntamos aos sindicatos e a outros movimentos sociais para conscientizar a população do ilícito e mafioso processo licitatório que está ocorrendo em nossa Florianópolis. Leia o Jornal do Ônibus, produzido pelos sindicatos e movimentos sociais, que foi distribuído durante este ato em frente ao TICEN. É só clicar aqui: Jornal do ônibus.pdf