MPL Floripa

8 de março  –  Dia da mulher de luta, dia da catraqueira!

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Nós – que sofremos assédio sexual nos ônibus, metrôs e trens – não queremos um buquê de rosas. Queremos programas que instruam as/os motoristas, cobradores/as e demais trabalhadores/as do transporte a reagirem em casos de violência e assédio, protegendo a vítima e denunciando o agressor.
Nós – mães solteiras que andamos por aí carregando nossas/os filhas/os de um canto ao outro da cidade, tendo que dar conta de se mover entre a creche, o trabalho e a casa – não queremos suas flores. Precisamos da tarifa zero para podermos fazer vários trajetos no mesmo dia sem nos preocuparmos com o peso da conta no fim do mês.
Nós – grávidas de uma nova geração – não queremos ganhar um parabéns pelo dia da mulher. Queremos um ônibus sem catraca, um ônibus confortável e não uma carcaça velha que torna nosso ir e vir em uma viagem pelo incômodo.
Nós – mulheres trans que deixamos de sair por aí por medo de sermos perseguidas, agredidas e mortas – não queremos suas saudações.  Lutamos por ruas mais seguras em que não estaremos expostas a situações arriscadas a todo o tempo. Contar com um transporte público de qualidade poderia nos ajudar a evitar circunstâncias de vulnerabilidade no espaço urbano
Nós – que deixamos de sair de noite por medo de nos expormos à violência sexual – não queremos ganhar uma mensagem festiva pelo celular. Exigimos transporte noturno amplo e de qualidade, que nos encoraje a sair às ruas e amplifique nossa liberdade de andar por aí sem nos expor a situações arriscadas em ruas desertas, caronas incertas e não confiáveis.
Nós – moradoras da periferia que cumprimos jornadas duplas ou triplas todos os dias – não queremos ganhar lembrancinhas do patrão. Demandamos urgentemente a transformação na forma de pensar e conceber as cidades, que privilegie o uso do transporte coletivo e não aceite a ideia de que alguém pode perder horas da sua vida diária entre a casa e o trabalho.
Nós – que somos a maioria entre a população pobre e as mais afetadas pelos momentos de crise econômica – não ligamos para suas rosas. Queremos a tarifa zero e um transporte verdadeiramente público como forma de ampliação da democracia, como distribuição da riqueza e verdadeira democratização dos espaços urbanos.
Nós  – mulheres do MPL  –  estamos juntas na luta por uma vida sem as catracas do machismo e do capital e vamos brigar por uma cidade que seja também uma cidade das mulheres!
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