Comunicado do MPL-DF sobre convite da presidenta

Nosso diálogo é nas ruas!

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O governo convidou o MPL para sentar mais uma vez na mesa presidencial. Participamos desta reunião enquanto coletivo do MPL DF, membro da federação nacional do MPL. Recebemos esse convite com descrença, uma vez que desde a última reunião com a Dilma, em junho do ano passado, a única resposta que o MPL teve por parte do governo foi o aumento de passagem em 4 cidades, nenhum passo no sentido da tarifa zero, e a PEC 90 empacada.

Se o governo Dilma nos chama para conversar com uma suposta intenção de estabelecer um diálogo com palavras, nas ruas a única forma de expressão do governo são bombas, prisões e balas de borracha, assumindo uma postura autoritária sobre as nossas reivindicações. Vivenciamos a intensificação da repressão e a criminalização dos protestos, porém não vimos nenhuma iniciativa de regulação da violência policial. Ao mesmo tempo que os governos nos obrigam a retirar as máscaras, os policiais são instruídos a não se identificar para se manter inimputáveis quanto a violência que exercem contra @s manifestantes.

Lembramos que assim como o direito ao anonimato do voto garante a possibilidade de não ser coagid@ em uma democracia, o anonimato nas manifestações é uma garantia de que não seremos perseguidos em função das nossas opções políticas – a não ser que o governo assuma que não estamos em uma democracia e portanto não podemos nos expressar politicamente sem sermos perseguid@s.

Marcamos também nesta nota pública o nosso incômodo com a forma desta reunião que convoca simultaneamente 32 entidades. Entendemos que esta é uma maneira de esvaziar a pauta de todas e de cada uma delas.Quanto a nossa pauta específica, cabe lembrar que lutamos pela tarifa zero, ou seja, a livre circulação de pessoas como expressão do direito à cidade. Toda a sociedade se benefecia do transporte coletivo, porém apenas @s usuári@s pagam diretamente por ele. Pagam por um transporte que as submete a superlotação, aos longos trajetos, ao sucateamento, a falta de linhas, e a agressão sexual. Essa situação aumenta as desigualdades sociais, uma vez que esta é a parcela mais empobrecida da população, a quem a tarifa atinge com maior violência.

Os governos justificam o aumento das tarifas com base na inflação, quando sabemos que a tarifa do transporte coletivo é um dos fatores que contribuem com o aumento do custo de vida da população. Prova disso é a redução da inflação no segundo semestre de 2013, quando se reduziu a tarifa em 11 capitais do pais. Assim, a tarifa zero que lutamos é também uma medida antinflacionária.

Se essa reunião é uma tentativa de evitar uma nova onda de protestos como a que houve em junho do ano passado, é bom lembrar que a revolta da população se dá como uma reação aos problemas que enfrentamos no cotidiano.

Voltamos a perguntar: porque convidar ao dialogo enquanto as políticas do governo com o transporte coletivo intensificam a revolta popular? Nossas reivindicações já estão colocadas em cada rua trancada e nossa indignação aumenta a cada giro de catraca.

Por uma vida sem catracas,
Movimento Passe Livre do Distrito Federal

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