MPL Floripa

Ei FIFA, paga minha tarifa! – Mobilizações na cidade

Essa semana Florianópolis será sede do Congresso Técnico da Copa do Mundo da FIFA. O encontro vai acontecer no Costão do Santinho e alguns movimentos da cidade já se manifestarão contra o evento local e contra a própria FIFA. Nessa quarta-feira às 18hrs vai acontecer um ato contra a Copa na frente do TICEN que está sendo convocado pela União Florianopolitana de Estudantes Secundaristas (UFES). Para mais informações veja o evento no Facebook e leia o panfleto abaixo:

panfleto 1  panfleto 2

Frente Autônoma de Luta por Moradia (FALM) publicou hoje um manifesto contra a realização do Congresso Técnico em Floripa, em que relembra principalmente a população que foi removida injustamente de suas casas para a realização deste megaevento esportivo. Ao final da nota, a FALM lista as questões que devem ser questionadas urgentemente frente a Copa de 2014 e seu legado para a população mais pobre. Confira:

MANIFESTO CONTRA O CONGRESSO TÉCNICO DA COPA DO MUNDO 2014 EM FLORIANÓPOLIS

Na última experiência da Copa do Mundo, na África do Sul em 2010, o povo daquele país se levantou. Porém, sua voz foi abafada pela mídia das potências, pelas instituições governamentais, pelo empresariado da construção civil e pela FIFA. As organizações populares sul-africanas denunciavam os projetos megalomaníacos pelo rombo de bilhões de dólares gastos em elefantes brancos, que hoje estão sendo demolidos. Foram gastos US$ 4,9 bilhões seguindo aquele velho discurso de aumento da geração de renda e do turismo local¹. No Brasil, o próprio Serviço de Proteção ao Crédito e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas informou que só 3% do total de ingressos na Copa das Confederações (2013) foram comprados por não brasileiros/as, desfazendo a máxima das oportunidades turísticas e de emprego para a população.

Como no país africano, as periferias brasileiras criaram seus comitês de resistência para protestar contra a precarização total dos serviços básicos, remoções forçadas de milhares de famílias e a militarização crescente das polícias². O nacionalismo midiático impulsiona políticas de higienização social, criminalização de manifestações populares e excluem dos processos democráticos a participação popular. As ruas e demais espaços públicos são enfeitados para receber os ricos enquanto o apartheid brasileiro continua. Com a nova legislação do Governo Federal, que pretende reprimir e encarcerar os movimentos sociais, o Estado opta pela via do controle militar, usando termos importados como “terrorismo”. Este plano de segurança visa atender às elites empresariais, àqueles poucos que se beneficiarão economicamente com os eventos que se iniciaram com a Copa das Confederações.

Desde então, cerca de 627.000 empregos foram perdidos e milhares de pessoas removidas à força de suas casas. Em 2007, no Rio de Janeiro, já houve um prenúncio dessa lógica mercantil: sob a caneta de Eduardo Paes (PMDB), como Secretário de Esportes e Turismo, foi posta em prática a famigerada “força-tarefa” do governador Sérgio Cabral (PMDB), que visava o início das remoções de comunidades e a “recuperação” da Aldeia do Maracanã para os Jogos Pan-Americanos, que tiveram o orçamento superfaturado. Até a presente data, só em São Paulo, mais de 70 favelas foram incendiadas desde 2012 – número divulgado pela Defesa Civil – sem contar em outras grandes capitais, como Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre – esta última, com uma ocorrência trágica ao lado de um novo estádio.

Os gastos são ainda maiores contando com a privatização dos portos e dos aeroportos. Para o Tribunal de Contas da União, de setembro de 2011 a fevereiro de 2012, o valor total das obras superaram a casa dos R$ 25 bilhões, que poderia servir para se construir 46,3 mil casas ou apartamentos do programa Minha Casa Minha Vida. A ordem é elitizar o acesso à cidade, restringindo a mobilidade urbana com valores tarifários altos para o povo, aumentando as cestas básicas e intensificando a segregação residencial através de aluguéis caríssimos.

Os financiamentos públicos para habitação são insuficientes e estão na contramão do planejamento urbano, impulsionando a segregação sócio-espacial, que expulsa as famílias pobres que não se enquadram no nível de “qualidade de vida”, em prol de um modelo de cidade-mercado se molda às novas infraestruturas globais. Como exemplo disso temos o programa Minha Casa Minha Vida, que não prioriza as famílias de menor renda e cria projetos em localidades sem infraestrutura básica e desconectadas das malhas urbanas. Isso ocorre porque os projetos estão voltados aos interesses de construtoras e da especulação imobiliária e não ao direito à moradia. Como resposta, todo ano surgem novas ocupações urbanas que aumentam a força social dos movimentos de luta por moradia e colocam em xeque a política de invisibilidade dos/as de baixo, que busca abafar as resistências do povo organizado.

Através de leis de exceção, Estado e multinacionais (FIFA, Coca-Cola, Odebrecht) atuam como entidades semelhantes, fazem acordos de regulação do espaço urbano, mercadológica, das forças de repressão, fundiária, ambiental e jurídica. Como a Lei Geral da Copa, que visa garantir que a Copa do Mundo maximize o lucro da FIFA e de seus patrocinadores, sendo o documento central de um conjunto de leis de exceção que vem sendo editadas nos três níveis federativos do país. Algumas delas são: a chamada Lei do Terrorismo (tipo penal inventado, inexistente até então no Brasil), que nega direitos de manifestação, mesmo que pacífica, durante o evento; a Lei da Greve, que suprime o direito de paralização; a Lei da Cultura, que proíbe as mais variadas manifestações culturais durante o evento; Lei da Exibição, que também proíbe as massas de assistirem aos telões nas ruas, em razão do alto valor dos ingressos; Lei de Propaganda, que refere-se à proibição da decoração das ruas com quaisquer cartazes políticos contrários ao evento, entre outras.

Na questão de segurança, o Estado investiu R$ 14 milhões em tecnologia a serviço de espionagem. São equipamentos usados pelas tropas estadunidenses no Iraque e no Afeganistão, que ficarão a cargo do Exército e da Polícia Federal. Para esta operação, a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (SESGE) atuará em coordenação com o Ministério da Defesa (Forças Armadas) para orientar o controle do espaço público e mapear fontes (ABIN).

Enquanto isso ocorre, as políticas habitacionais são precárias e o foco são operações de remoção e projetos de higienização social de cunho racista e xenófobo, nos quais os pobres são cada vez mais afastados dos centros. Amplia-se o canal de repasse de verbas públicas a particulares e se fortalece um modelo de cidade excludente, que reproduz a lógica da especulação imobiliária e do cerceamento ao espaço público. Essa omissão do Estado é uma prova de que somente pela ação direta e pelo protagonismo popular é possível conquistar direitos e vitórias.

Onde está o suposto “legado social” dos jogos? Até agora, nada encontramos que permita justificar as dezenas de bilhões já investidos em nome da Copa e das Olimpíadas. De um lado ecoam gritos de “Não vai ter Copa!” e do outro não há qualquer interesse por diálogo e transparência. Diante desse conflito claro de interesses entre o povo e as elites, escancaram-se nas ruas através de brutalidade, repressão, torturas e perseguição política, as remanescências da ditadura no Brasil, que sempre teve o futebol e a seleção brasileira como instrumentos fundamentais de propaganda.

copa pra quem


A Frente Autônoma de Luta por Moradia (FALM) apoia e defende essa pauta de luta:

1. Contra as remoções de comunidades nas cidades-sede da Copa;
2. Contra a violência do Estado – especificamente a policial –, pela defesa da sua desmilitarização e fim da repressão e criminalização aos movimentos sociais;
3. Contra as políticas de higienização social;
4. Contra o pacote da nova Lei Geral da Copa que transforma o país num Estado de exceção e enquadra como crime de terrorismo todo direito ao protesto, retirando das organizações populares sua livre manifestação.

Abaixo o terrorismo de Estado!
Contra a criminalização aos movimentos sociais!

NÃO SE INTIMIDAR,
NÃO DESMOBILIZAR.
RODEAR DE SOLIDARIEDADE AS/OS QUE LUTAM!
_______________
¹ Sobre o legado dos estádios da Copa na África do Sul, ver: <
http://www.youtube.com/watch?v=kuCYJ-zIF90>
² Ver o vídeo Copa 2014: Quem ganha com esse jogo?: <http://www.youtube.com/watch?v=kuCYJ-zIF90>

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