MPL Floripa

CRIME É A IMPUNIDADE

Comunicado lido na audiência contra a criminalização dos movimentos sociais, que ocorreu no auditório da catedral no dia 17 de abril

Hoje completam 12 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, 19 companheiros foram mortos,
69 foram mutilados e hoje ainda há desaparecidas/os.
A maior parte dos panteras negras presos foram presos por crimes comuns.
hoje completam 189 dias que ocorreu o desalojo na “casa de las pombas” em brasília, 10
pessoas foram presas ilegalmente.
Nas cadeias de Chiapas há cerca de 100 pessoas presas por razões políticas.
Hoje completam 537 dias do assassinato do companheiro Brad Will em Oaxaca, por forças
paramilitares.
Florianópolis 2005: mais 60 pessoas presas durante a II revolta da
Catraca
Hoje completam 178 dias do assassinato do companheiro Keno, a mando da empresa Syngenta.
Florianópolis 2006 Leo Vinicius e André oura Ferro foram processados por
Crime de Imprensa, pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina por terem
denunciado, em artigos publicados no jornal A Notícia, a parcialidade do
TJ na ocasião da suspensão da Lei do Passe Livre de Florianópolis em
novembro de 2005.
Hoje completam 1155 dias do desalojo do “Sonho real” em Goiânia, 2 pessoas foram mortas.
Um companheiro do MPL, em outubro do ano passado teve sua casa incendiada e um parente
(que estava sozinho na casa) torturado, resultado da perseguição política, consequencia
da sua luta. A polícia nada fez.
Hoje completam 1159 dias do assassinato da missionária Dhoroty Stang.
Hoje fazem 791 dias do ataque de capangas em nossa panfletagem, que resultou na prisão de
marcelo pomar e do fotógrafo cláudio sarará.
Hoje faltam 16 dias para o nosso julgamento.
Isso não é mais surpresa, tampouco somos as/os primeiras/os. Em todo o mundo, a todo
tempo, lutadoras e lutadores vêem seus inimigos tentando destruir seu sonhos. Ao preço de
prisões arbitrárias e torturas. Ao preço de vidas. Dar os nomes já não faz sentido: eles
são infinitos e incontáveis. Elas e eles ? as/os que caíram, as/os que foram presas/os ?
estão por toda a história. Elas e eles somos todas/os nós.

A nossa luta, antes de mais nada, é a luta por Justiça. Lutamos por um mundo que
acreditamos ser mais justo, sonhamos com uma sociedade de mulheres e homens livres! Mas
entre nós e os poderosos há um imenso abismo do significado de justiça. Se o mundo fosse
justo talvez a palavra justiça nem existisse, e nós enquanto coletivo também não, afinal
não haveria exploradas/os, oprimidas/os, a vida não seria uma mercadoria, tampouco uma
prisão.

Estamos presas/os dentro de um sistema, no qual nenhuma constituição vai
assegurar qualquer direito daqueles que estão nadando contra a corrente, portanto, nenhum
amontoado de palavras irá representar aquilo que já é nosso: a Terra, as ruas, a
dignidade!

Não precisamos de tanto papel e tanta burocracia para saber o que nos pertence, não
precisamos deste/do Estado -que está a serviço de um sistema injusto- para ser vítima das
nossas conquistas, não precisamos de um Estado para falar sobre os nossos direitos,
tampouco para apaziguar qualquer situação, afinal a única paz que almejamos é entre nós.

Guerra aos senhores!

E que senhor Estado, que criminaliza a luta por justiça! Que mantém impune o coronel
Pantoja, o Major Oliveira e o ex- governador Almir Gabriel, que mantém livres os 16
capangas e seus mandantes que nos atacaram no dia 16 de fevereiro, também continua livre
o assassino do Keno. O Estado continua livre para dar a significação de justiça que mais
lhe convém.

Então, o que é Justiça?

Que mesmo após tanta luta, e a conquista de um ?Estado democrático?, ainda pagamos caro
pela nossa opinião, a Constituição ?por mais democrática que seja- ainda está a serviço
dos ?de cima?, – nossos direitos não passam de um amontoado de palavras, que vez ou outra
fazem algum sentido.
Somos condenadas/os por acreditar na Justiça.
Mas não nessa justiça dos ricos que matam em nome da lei, que nos prendem em nome da ordem, que nos transformamem criminosas/os invertendo os papéis,
afinal crime é a impunidade,
crime é o latifúndio,
crime é a especulação imobiliária,
crime é a tarifa,
crime é o preço da luz,
crime é o machismo,
crime é o racismo.
Crime é manter a ordem, manter essa ordem que privilegia poucos em nome da miséria de muitos.

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